domingo, 5 de agosto de 2012

TODAS AS VIDAS DEVERIAM SER ILUMINADAS


Agora a pouco, fui deixar uma das filhas para assistir a um filme com uma amiga.

Quando parei o carro em frente ao Shopping para elas descerem, observei na calçada escura de um restaurante fechado, alguns meninos que se preparavam para dormir. Um já estava totalmente coberto com um lençol encardido, o outro, na medida em que se recostava na parede enfiava os braços para dentro da camisa numa tentativa de se amparar do frio.

Do lado oposto, a calçada iluminada do shopping acolhia outras pessoas, bem vestidas, sentadas em torno das mesas, em conversas alegres, degustando os seus pedidos.

Deixei as meninas que, envoltas em seus interesses de juventude, nem deram conta do que acontecia nas duas calçadas.

Logo mais a frente, outro rapaz, de cabeça baixa e olhar perdido no vazio, me passava a impressão de alguém que não tinha mais nada com o que contar. Triste vida essa, pensei. A de quem não tem um lar, uma família, uma alimentação certa e um futuro para planejar.

Não importa os motivos que os levaram para lá.

Nunca deveriam existir calçadas escuras na vida de ninguém.

Deitar em uma cama quentinha, se enrolar em um cobertor limpinho, sentir-se protegido, amado, farto de alimento e cheios de sonhos para realizar, eram para ser direitos de todos os seres humanos.

Ainda no caminho, dei com algumas moças e rapazes que acabavam de fechar uma igreja e se dirigiam para as suas casas, com a bíblia embaixo do braço, de cabeças erguidas, transpareciam a sensação de paz e de dever cumprido.

- Em quantas desigualdades, meu Deus, se dividem os filhos teus?


Todas as vidas deveriam ser iluminadas.

domingo, 22 de julho de 2012

ABANDONO SOCIAL- EXIGE UMA POLÍTICA URGENTE PARA SOLUCIONÁ-LO


Ontem à noite, voltando para casa de carro com as minhas duas filhas mais novas e passando pelo cruzamento da avenida Bernardo Vieira com a Jaguararí,, nos deparamos com um desses meninos que pedem dinheiro nos sinais.

Isso era por volta das seis horas da noite, mas, estranhamente havia poucos deles neste sinal, aliás, somente ele. O comportamento do jovem, de aparência débil, me chamou atenção. Pareceu-me alguém com um tipo de deficiência mental. O que não é nenhuma estranheza em se encontrar nesse tipo pessoa que vive sob tais condições. Como não tinha nenhuma moeda no momento, eu lhes dei um pacote de biscoitos recheados que as minhas filhas traziam dentro do carro para o caso de sentirem fome pelo caminho.

A minha atitude deu início um debate polêmico dentro do carro sobre ser certo ou errado dar dinheiro a essas pessoas que pedem nos sinais.

Uma das filhas, de dezenove anos, que há pouco tempo teve o seu celular roubado em uma parada de ônibus e ainda encontra-se bastante revoltada por isso, defende que a maioria desses jovens se acomoda com esse dinheiro que damos e passam a vida inteira sem procurar trabalho. Argumenta que a maioria deles não “são esses coitadinhos que a gente pensa”, que basta deixar alguma bolsa ou um objeto de valor fácil e eles não terão o menor escrúpulo em roubá-lo ou ainda em nos fazer um mal para conseguir isso. Por isso, afirma ser extremamente contra darmos dinheiro a eles nos sinais, concluindo ainda que esse dinheiro servirá unicamente para a compra de drogas.

A filha mais nova, de dezessete anos apresenta um argumento contrário ao da sua irmã. Segundo ela, ninguém tem condições de julgar a todos os jovens e crianças que pedem nos sinais, de maneira generalizada. Alguns deles, afirma, certamente não tem outra opção na vida. Ela levanta uma tese de que se qualquer um deles tivessem recebido a educação devida, a atenção e o carinho da família, certamente não estaria ali nessas condições. Alguma dessas coisas deve ter lhes faltado, senão todas, afirma.

Penso que, ambos os argumentos, embora aparentemente convergentes, tornam-se complementares para traçarmos o perfil das pessoas que vivem nas ruas, pedindo dinheiro e até roubando.

Não podemos, realmente, ter sempre a postura ingênua de acreditar que só pelo fato de estarem naquela condição de “abandono social”, trata-se de “coitadinhos”, cujas condições lhes tornaram “almas humildes”, capazes de gratidão e reconhecimento pela ajuda que recebem de nós.

Também, ao contrário, embora reconhecendo que são pessoas criadas sem educação para a ética e para o reconhecimento da solidariedade, mesmo assim, isso não as redime da condição de necessitarem de ajuda.

Sem dúvida alguma, a ajuda de que necessitam efetivamente seria a de ter-lhes devolvido o direito de ter um lar, de estudar e de um emprego... Todavia, a ajuda que carecem no momento é imediata. Seja para saciar a sua fome ou o vício em drogas, que a maioria adquire. Porém, devemos ter a clareza de que a fome e o vício em drogas serão saciados de alguma forma e eles não podem esperar pelos programas sociais de resultados à longo prazo.

Ou seja, não é o fato de nos negarmos a dar-lhes dinheiro que irá tirá-los da rua.  

O erro está em considerarmos ter cumprido o nosso dever social apenas assumindo a posição de ajudar ou deixar de ajudar essas crianças e esses jovens que perambulam pelas ruas.

A nossa dívida social está longe disso. Ela vai muito além de discutirmos confortavelmente dentro do nosso carro, no aconchego dos nossos lares, nas escolas ou no nosso merecido trabalho, se é certo ou errado dar dinheiro aos pedintes nas ruas.

Em um período como esse, de campanha política, o momento é propício para exercitarmos um grande dever social: escolher representantes políticos que apresentem projetos vislumbrando resolver problemas como esse.

Muito embora, a ninguém compete conhecer verdadeiramente ás intenções de um candidato, é possível reconhecer um bom projeto quando constamos que este apresenta ações capazes de serem realizadas. A única pista confiável que temos para avaliar um candidato é a análise do seu histórico político. Devemos conhecer sobre a sua postura e os seus atos anteriores, realizados á serviço da sociedade.

Temos que ter em mente, ainda, que somente eleger o nosso represente político não põe fim no nosso compromisso social. Acompanhar a sua trajetória, unindo-nos aos grupos ou comunidades para cobrar os projetos prometidos na campanha é a continuação do nosso dever.

 Além disso, sabemos que existem muitas ações sociais  que independem de governos e  que é possível descobrirmos uma maneira de contribuirmos para acabar com toda essa desigualdade social que nos cerca.

Cada um a sua parte e todas as partes estarão unidas no resultado final.

terça-feira, 17 de julho de 2012

LIBERTANDO-SE DO VÍCIO


Vício. Muita gente não sabe ao certo o significado real dessa palavra. Algumas pessoas declaram, por exemplo, em tom de brincadeira – Ah, eu sou uma viciada em internet.  – ou em outra coisa que ela gosta muito e que julga satisfazer-se com seu uso mais do que deveria. Todavia, isso ainda está muito distante do que se caracteriza realmente ser uma pessoa viciada.

Ultimamente a palavra viciada está muito associada ao uso de drogas, por motivos bem óbvios que todos nós sabemos, mas, o ser humano pode tornar-se viciado em qualquer coisa, tipo: comida, bebida, jogo, comportamento, tarefa, sexo, entre outros e, principalmente, drogas.

O vício não se inicia como tal. Na verdade, ele se instala de maneira sorrateira. Ou seja, no princípio, e até durante muito tempo, é comum a ilusão de que se tem o domínio sobre aquela determinada coisa. A autoafirmação de que se está viciado vem muito depois da constatação feita pelas outras pessoas ao redor.

Ser viciado quer dizer: perder o controle sobre si mesmo.

Uma americana que perdeu setenta e seis quilos, segundo ela, sem o recurso de remédio ou cirurgia, apenas através da “reeducação alimentar e exercícios físicos”, relata em entrevista que continua frequentando festas mas resiste em comer “o primeiro docinho”.  A mulher afirma que de acordo com as suas experiências frustradas para emagrecer, chegou a conclusão de que se ela permitir-se comer “apenas um”, com certeza acaba perdendo o controle e comerá compulsivamente vários.

Todos nós sabemos que o principal lema do Grupo do AA (Alcóolicos Anônimos) é “Evite o primeiro gole”.

Essa é uma regra que vale para todo o tipo de vício. Não é nada fácil mantê-la, mas sem ela é impossível combater o vício. Não se consegue dominar um vício fazendo uso de poucas dosagens. Isso é mera ilusão. Aceitar essa condição já é meio caminho andado para a vitória. Daí em diante é se abastecer de coragem e perseverar.

Quando se retira da vida algo em que se viciara, logicamente, de uma forma ou de outra, abriu-se mão de um prazer, de uma coisa que preenchia parte da pessoa e que, apesar das consequências, tinha uma justificativa para existir. Portanto, é necessário que alguma recompensa seja posta em seu lugar.

Libertar-se de um vício é uma atitude bem mais emocional do que racional. Por isso, as vantagens que são obvias para os observadores tem outra conotação para quem está envolvido.  Esse dilema interior é um grande causador de sofrimento, pois ao raciocinar sobre o que está fazendo o viciado enxerga de uma forma alterada a própria fraqueza.

Dizer que o apoio da família é crucial para o tratamento é tão obvio quanto lembrar que esta é a parte mais afetada em toda a história. Assim, tão forte quanto o amor que empurra para o apoio, a compreensão e a parceria, encontra-se a mágoa, o rancor, o cansaço e a descrença. Não é errado dizer que todos estão doentes e todos precisam ser tratados de acordo com a forma em foram afetados.

Felizmente existem muitas instituições para ajudar a pessoas que se encontram nessas condições. Muitas delas criadas justamente por quem já enfrentou esses sofrimentos.

Devo esclarecer também que  as instituições e  os órgãos que tratam sobre esse assunto preferem utilizar o termo “dependência”. Eu estou chamando aqui de vício como uma provocação para refletirmos mais profundamente a situação.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O HOSPITAL DAS PROPAGANDAS X O HOSPITAL DA VIDA REAL


Gente, confesso que repasso muitas vezes às críticas à prefeita de Natal, Micarla de Souza, veiculadas pela internet, movida mais pela admiração à capacidade criativa dos brasileiros de produzir humor à partir das suas próprias desgraças.

Não é do meu feitio gostar de desmoralizar ninguém, ainda que essa pessoa já faça isso por si mesma.

Mas, também não é do meu feitio observar passivamente as injustiças e as mentiras proferidas por alguém para enganar os outros.

Quando comecei a ver na televisão as novas propagandas da prefeitura municipal de Natal, mostrando a beleza e a perfeição dos hospitais da rede publica eu fiquei realmente confusa.

Acontece que há menos de um mês, eu estive em um desses hospitais administrados pela prefeitura e o que assisti lá foi exatamente o inverso do que se apresenta nas propagandas.

O hospital do qual estou me referindo é o Hospital dos Pescadores, no bairro das Rocas. Tão antigo e maltratado quanto a comunidade onde está inserido. Em meio às ruas esburacadas e cheias de lamas, cercado por barracos e casebres, envolto ao cheiro de peixe apodrecido vindo do porto, recebe pessoas de todos os bairros da cidade em busca de alívio para as suas dores e sofrimentos.

Pesquisando sobre o hospital, na internet, encontrei matérias do ano de 2009 denunciando o descaso e as condições precárias das instalações. Nada me pareceu mudar, o quadro que vi era o mesmo: Gente demais, funcionários de menos; pessoas atendidas pelo corredor; paredes mofadas, com infiltrações; demora no atendimento; soros pendurados em pregos pelas paredes ou segurados pelas pessoas por não ter suportes suficientes para coloca-los e ainda, funcionários atendendo mal-humorados, visivelmente chateados pela condição de trabalho.

Então eu me pergunto que hospital limpo, espaçoso e eficiente é aquele mostrado na propaganda? Será que o povo está preferindo ser atendido no Hospital dos Pescadores porque gosta de sofrer, abrindo mão de hospitais de excelências como os da propaganda?

Qual é a verdade dessa história? Quem está mentido?

Se a prefeitura apresenta imagens para comprovar a beleza da rede publica hospitalar eu também apresento as imagens captadas durante a minha triste experiência de passar quase um dia inteiro tentando um atendimento médico para uma amiga.

Enfermeira demonstrando como deve ser segurado o soro por não dispor de suporte para colocá-lo
Pacientes com dor e com ferimentos, tomando soro, dividindo um banco de madeira no corredor.


A sorte de quem achou um prego na parede para pendurar o soro.
Soro pendurado no prego da janela e aparelho coletivo de inalação  no corredor.


domingo, 17 de junho de 2012

A MOBILIZAÇÃO E A PRISÃO DOS ESTUDANTES DA UNIFESP – QUE LIÇÃO NOS DÁ?


Assistindo na TV, esse sábado, 16 de junho, a matéria sobre a libertação dos estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) detidos na quinta-feira (14), após protesto no campus de Guarulhos, fiquei, como muitas pessoas, acredito eu, questionando– Como as coisas chegaram a esse ponto?

Nos depoimentos dos funcionários da Universidade consta que chamaram a polícia por sentirem-se ameaçados quando os alunos começaram a quebrar vidros; derrubar coisas e pichar as paredes.

Pergunto-me então, - Antes disso, qual era a repercussão do movimento desses estudantes?

Vejam bem, não estou aqui defendendo atos de violência ou depredação do espaço público. O que estou na verdade é propondo uma análise sobre os “culpados” de tal acontecimento.

O jornal oline g1.globo.com, na quinta feira, dia 15, publica o seguinte texto referindo-se às “Reivindicações” do grupo: ““Os estudantes estão em greve há cerca de 80 dias para reivindicar uma melhor infraestrutura para o campus. Eles pedem a construção de novas salas de aula, a reforma do restaurante universitário e o encerramento de um processo criminal contra cerca de 40 alunos que começou em 2008 devido a um protesto contra a direção da Unifesp em um dos campi da universidade.”. Acredito que isso nos dá uma pista para avaliar a atenção que estava sendo dada às vozes desses estudantes.

Possivelmente, eles ficariam ali a vida inteira tentando uma negociação que jamais seria atendida. Por que? E, onde estavam os professores que não apareceram ao lado dos alunos? Afinal, a reivindicação não era em prol da melhoria da Universidade? Talvez se eles tivessem acrescento aumento de salários dos professores...

Desculpem o sarcasmo, não é que eu considere injusta a luta dos professores por aumento de salário, longe de mim isso, afinal só um deles e sinto-me bastante desestimulada em minha profissão, cujo desgaste emocional, maior que físico, dificilmente poderia ser recompensado por dinheiro algum. É notório o desrespeito dos governos e de toda a sociedade civil pelo professor no Brasil, isso é causa de tristeza e motivação de luta para reverter tal realidade.

Todavia, o que não consigo conceber é a fracionalização das lutas. Porque nas lutas dos professores os alunos ao invés de se somarem a elas são, ao contrário, subtraídos? Inclusive, diretamente, os mais prejudicados com a ferramenta de luta utilizada pelos professores: A GREVE.

Ainda, no jornal citado, na data da libertação dos jovens, registra-se o argumento do advogado Sérgio Augusto Pinto de Oliveira. Segundo ele, a justificativa apresentada foi que os alunos “Não cometeram nenhum ilícito penal, que têm residência fixa, que não podem ser molestados quanto ao direito de ir e vir por conta de um legítimo direito de manifestação, que está previsto na Constituição Federal”.

Temos que compreender que a escola, seja em que nível for de ensino, pertence ao público atendido por ela. Esse publico deve sempre ser ouvido com relação a qualidade do trabalho que lhes está sendo prestado. Isso é um direito que vem sendo ignorado por todos nós.

O estudante precisa ser um aliado do professor na luta pelos seus direitos e vice e versa. Essa deveria ser a primeira conquista reivindicada por todos os que fazem parte da educação nesse país: A UNIÃO DE TODOS PELA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO.

(Fonte da imagem utilizada:

domingo, 3 de junho de 2012

O NAUFRÁGIO



 A data era 17 de fevereiro de 2012, véspera de carnaval.

 Nesse dia, a tempestade que já estava prevista e já começava a cair, provocou uma onda gigante e derrubou violentamente o navio, antecipando o fim da viagem.

O dia tinha amanhecido e apesar dos sinais da tempestade a viagem parecia continuar como estava de uns tempos para cá, sem rumo e sem previsão, apenas mantendo o navio na água.

 De repente ouvi o anuncio do naufrágio iminente. Todas as tripulantes começaram a selecionar os seus pertences que podiam carregar para tentar salvar as suas vidas.

Era uma luta individual, mas, apesar disso, refleti imediatamente que o desespero não deveria destruir o grupo. - De alguma forma, no meio do oceano, deveríamos buscar umas as outras para decidir os novos rumos - propus.

Assim fizemos e cá estamos unidas e salvas.

Porém, até hoje, passados mais de três meses do ocorrido, os sinais dos flagelos causados, principalmente nas almas das sobreviventes, ainda são fortes.

Algumas já alcançaram um porto seguro, outras ainda se equilibram nos destroços do naviostentando chegar à margem segura, ameaçadas pelas ondas que insistem em derrubá-las.

Para cada uma, um aprendizado, um renascimento.

Certamente, saímos mais fortes dessa tempestade. Descobrimos novos rumos, novas possibilidades e aprendemos mais sobre navegar.

domingo, 20 de maio de 2012

AGNÓSTICO – NEM ATEU, NEM CRENTE – NO CENTRO DA FESTA


A festa teve início e, como o ambiente estivesse lotado de pessoas, o dono da casa desconfiou de um numero grande de penetras. Pensou então em uma estratégia para identifica-los.

Subindo em uma cadeira, pediu a atenção  dos convidados e sugeriu que naquele instante “os convidados da noivas” se deslocassem para o lado direito do salão. Algumas pessoas obedeceram e, em seguida, pediu que “os convidados do noivo” fossem para o lado esquerdo. Da mesma forma, uns presentes trataram de obedecer a sugestão do dono da casa.

Nesse momento ele observou que um pequeno grupo permanecia no centro do salão, aparentando indecisão para qual direção tomar.

Ainda, do alto da cadeira, observando a cena, bradou para os presentes: - Com exceção desse grupo que permaneceu no meio, os demais podem se retirar da minha casa pois isso aqui é um batizado e não uma festa de casamento.

Lembrei-me dessa piada quando estava refletindo sobre a minha posição diante dessa discussão a respeito de crer ou não crer na existência de Deus.

“Agnóstica”, descobri que sou. Baseado na definição de que são considerados “diagnósticos” aqueles que não pregam a existência de Deus e também não se julgam capazes de obter argumentos suficientes para acreditar e declarar veementemente a não existência deste.

Ou, seja, sinto-me ali, no meio, como se estivesse vindo a um batizado e agora me encontrasse em volta de um grupo que se divide radicalmente para afirmar posições das quais, a meu ver, se não precipitadas, muitas vezes ingênuas e às vezes ignorantes.

Certamente, propor que me identifiquem como o grupo correto nessa historia, seria definitivamente bastante soberba. Posto que aqui, não disponho do aval do “dono da casa” para validar a minha posição.

Antes, sinto-me, na verdade, como alguém que assume a sua ignorância e se vê agora em um conflito pessoal para assimilar que, concluindo sobre a não existência de Deus, qual seria o sentido de estar viva.

Nesse conflito, estão postas as convicções que sempre construí, prefiro buscar respostas, admitir os equívocos e os limites do meu conhecimento do que assumir o radicalismo de uma posição, fechada para novas possibilidades.

Embora eu racionalize a impossibilidade da existência de um ser único e poderoso, “onipotente e onipresente”, sem inicio e sem fim, também, questiono se é possível não haver verdadeiramente, nenhuma ligação entre os seres humanos que se estenda para além da matéria.
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