sexta-feira, 18 de março de 2011

A HORA DA COLHEITA


Neste momento a noite toma a sua forma nos contornos da mobília projetando sombras nas paredes. Um pensamento povoa a minha cabeça - Se houvesse um medidor de melancolia, diria que esta hora, ela encontra-se no cume. Principalmente para quem, como eu, já avançando quase os noventa anos, não é mais que uma coadjuvante das cenas intensas da vida.

 As gerações mais jovens, de netos, não alcançaram o auge da minha atuação como protagonista. Conhecera-me apenas como doce, meiga, frágil e as vezes impertinente avó.

Por sorte ainda consigo caminhar razoavelmente bem pela casa embora lá fora o corpo já não me permita mais tal desenvoltura. As calçadas, o trânsito agitado e os perigos da cidade grande reforçam a necessidade de me manter resguardada em meu refúgio.

Pelos corredores da casa os sorrisos, os momentos especiais, as imagens de festas e encontros da família seguem-me pendurados nas molduras fixadas nas paredes.

 Mas o verdadeiro túnel do tempo encontra-se na gaveta do guarda-roupa, no álbum de papelão grosso, com fotos em preto e branco, já amareladas, presas a pequenas cantoneiras e protegidas por um papel de seda. Sou capaz de ouvir os sons e sentir os cheiros que exalavam naqueles momentos das fotografias

Lá estou eu, cintura finíssima, no vestido de domingo, passeando de braços dados com as minhas melhores amigas. Tem uma a foto de close, que eu gosto, em que estou de costas para o espelho, mostrando bem o corte de meu cabelo tão na moda naquela época. O meu pai e a minha mãe ainda estão lá, pousando para o fotógrafo. Ela, linda, majestosa, muito arrumada, ostentando seu conjunto de colar e brincos de pérolas, sentada numa cadeira estilo colonial. O meu pai, de pé ao seu lado, exibindo um paletó impecável, chapéu na mão, cabelos penteados para trás fixos à base de brilhantina.

Passo horas conferindo nas Fotos a trajetória da minha vida. Volto-me para o espelho que me traz à realidade. Cá estou, a menina Aninha, que cresceu, amadureceu, produziu frutos e sobrevive hoje da colheita destes.

terça-feira, 15 de março de 2011

PANFLETOS NOS SINAIS


Todo mundo já deve ter observado, pelo menos aqui em Natal, RN, que a cada saída pelas ruas se volta para casa com o carro abarrotado de panfletos.

 São propagandas de supermercados; de lojas de móveis, eletrodomésticos, de concessionárias de automóveis; imobiliárias; salões de beleza; trabalhos de pai de santo e tudo o mais que possamos imaginar ou coisas que até excedem a nossa imaginação.  

Muitos desses panfletos vão diretos para a lixeira sem nenhuma observação do seu conteúdo. Honestamente, eu nem dou conta. 

Trata-se de uma dinâmica muito frenética. Basta parar em um sinal que lá vem dezenas de jovens disputando as janelas dos automóveis. Algumas pessoas nem descem mais o vidro para recebê-los. Eu só os recebo em consideração àqueles que estão ali tentando ganhar  uns trocados honestamente.

Quando eu vinha hoje do trabalho para casa recebi mais um desses panfletos. A jovem que o entregou perguntou-me as horas. Respondi que era meio dia e trinta. Ouvi um suspiro de desilusão – Ah, meu Deus, daqui que dê quatro horas...!

Observei melhor a moça. Uma menina ainda. Lembrou-me até a minha filha mais nova. Com uma pele bem clarinha que já estava completamente vermelha do sol, apesar do boné que usava para tentar se proteger, aparentando os seus quinze, dezesseis anos.

Perguntei-lhe – Desde que horas você está aqui entregando panfletos?   - Desde as sete horas da manhã – respondeu-me.

Antes que eu continuasse com a próxima pergunta ela se antecipou       – Tudo isso para ganhar quinze reais – acrescentando – que só irei receber daqui a quinze dias.

Continuei o caminho com aquela imagem em minha cabeça até chegar na frente da escola da minha filha, que dessa vez, observando melhor, encontrei muito mais diferença entre ela e aquela menina.

Não diferenças físicas, pelo contrário, aquelas semelhanças foram até confirmadas, diferenças de realidade, de oportunidades de justiça.

A minha filha estava saindo da escola, a melhor que eu posso pagar, para a nossa casa, para ser alimentada, cuidada, amada e educada.

 Aquela menina continuava lá, sob um sol escaldante, distribuindo panfletos para quem nem quer receber, colaborando como uma mão de obra “semi-escrava”, se  é que esse termo existe, para enriquecer mais ainda os empresários, esperando uma hora que nunca chegava para ir para casa e aguardando uma mísera recompensa que iria demorar muito mais ainda.

sábado, 12 de março de 2011

A TRAGÉDIA NO JAPÃO, O QUE APRENDEMOS COM ELA?



O mundo inteiro está chocado com a tragédia do Japão.  Assistindo aquelas cenas de horror que parecem saídas de filmes de ficção científica, não pude, assim como todos vocês, deixar de refletir sobre a aflição e a infelicidade que se abateu de repente sobre aquelas pessoas.

Porque meu Deus? É a pergunta que vem a cabeça.

De imediato lembrei-me de uma passagem do livro A Cabana, de P. Young, onde "Deus" explicava que não necessitava provocar tragédias para realizar nenhum de seus propósitos - "...mas" - dizia ele - "onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras".

Nessas horas é muito difícil enxergarmos alguma graça, assim de imediato, pois o sofrimento é realmente muito grande.

Mas, estejamos certos que muitas delas estão ocorrendo por lá. E por aqui também. A internet cada vez mais diminui a distância entre os povos e nós fomos, quase que no mesmo instante em que acontecia a tragédia, afetados por ela através da comoção e do espírito de solidariedade para com aqueles irmãos anônimos.

Esse é um momento de direcionar os nossos pensamentos de luz, força e conforto para aqueles que tentam se recuperar de tanto desastre que se abateu ao mesmo tempo, o terremoto; a tsunami; os incêndios e agora a explosão na usina nuclear.

Que eles encontrem a paz e o conforto o mais breve possível e que o mundo aprenda com esses exemplos a reconhecer o que realmente existe de mais valoroso nesse planeta, a vida humana.




quarta-feira, 9 de março de 2011

HISTÓRIA DE BASTIANA- Não deixa de ser uma homenagem ao dia das mulheres rsrsrs


Outro dia o meu amigo Dotha do Caríssimas Catrevagens... postou uma história muito engraçada que aconteceu com ele e uma antiga empregada família. Eu ri muito e fiquei empolgada para também contar uma.  Não com o talento dele, né? Mas lá vai.

As minha filhas ainda eram pequenas e eu trouxe Sebastiana do interior para trabalhar lá em casa. Bastiana, como a gente chamava, era uma figura... Um pouco alta, bem magra, pele escura, cabelos crespos, sempre efeitados de broches coloridos.

Para completar a discrição de Bastiana não podia deixar de comentar que ela era banguela (não tinha os dentes da frente), mas isso não a impedia de viver dando gargalhadas e também de descolar um namorado, assim que chegou.

Esse namoro de Bastiana foi uma dor de cabeça pra gente. O tal de Antonio, que Bastiana chamava de “Ontoin”, morava numa vila que ficava por trás do nosso quintal. Vez por outra aparecia um buraco novo no muro, perto da lavanderia. A gente reclamava, tapava os buracos, não tinha jeito, no outro dia havia outro e Bastiana não sabia explicar que buracos eram aqueles, até que um dia pegamos os dois no flagra, era o canal de comunicação deles.  Apartir daí assumiram o namoro e todos os dias nos momentos de folga ela ia para a casa dele namorar. Acabaram-se os buracos no muro.

Ah, o sonho de Bastiana era “botar uma chapa”. Consegui realiza-lo, mandei fazer uma prótese. Nem preciso dizer que agora era que Bastiana ria muito.

Toda quinzena ela viajava para o interior, retornava no domingo. Mas antes de chegar em casa, dava uma passadinha no tal namorado, para assinar o ponto.

Na primeira viajem de Bastiana depois que “botou a chapa”, eu já estava com ela próximo da rodoviária quando ela deu grito, que me assustou.
– Ai, D. Ivana, muié,  se isquici da minha chapa! – e implorava
 – D. Ivana, pelamor de Deus, vorte, vamu buscá a minha chapa que eu quero chegar no interior com ela! – Não teve jeito, dei a volta no carro e fui buscar a “chapa” de Bastiana que quase perdia o ônibus nesse dia. Mas no final deu tudo certo, lá foi ela, exibindo o presente, toda sorridente na janela do ônibus, dando com a mão.

No domingo de noite, chega Bastiana de viajem, já havia passado na casa do namorado. Entrou pela sala, alvoroçada, como sempre
 - Cheguei, meu povo! – Reparei que ela estava sem os dentes. Curiosa e preocupada, questionei - Bastiana cadê a tua chapa?- Bastiana levou a mão na boca, com um jeito de quem ainda não havia percebido a ausência dos dentes e soltou um grito
 - Valha... isquici a chapa no bolso de Ontoin!

quarta-feira, 2 de março de 2011

CASO LUCAS TERRA: justiça é o mínimo que se espera.


O texto abaixo foi copiado do Blog http://ajudaraencontrar.blogspot.com  Como todas as informações contidas nesse Blog, voltadas para ajudar a famílias que sofrem a dor do desaparecimento de uma pessoa querida, esse texto é uma oportunidade de ajudarmos alguém.  É muito importante. Leiam!
CASO LUCAS TERRA
“Carlos Terra e Marion Terra, são os pais do menor Lucas Terra, assassinado em  21/03/2001.
Segundo Laudo da Policia técnica, na ocasião dos fatos, Lucas Terra,  estudante de catorze anos de idade,  foi QUEIMADO vivo, após ter sofrido (entre outros) violência sexual.
Após detalhada investigação, a policia baiana, concluiu que o autor do crime, seria SILVIO GALIZA, "Pastor de uma Igreja" que o menino Lucas Terra freqüentava. (COMO ESTÁ O CASO AGORA EM 2011?)

Pelo relatório final, evidenciou-se que Lucas teria sido amarrado e amordaçado para não gritar e colocado dentro de uma Caixa de Madeirit. Em seguida, conforme informações de Carlos Terra (Pai de Lucas) e relatos de  Galiza, o autor do crime  supostamente acompanhado de mais duas pessoas, que se identificavam igualmente como pastores, carbonizaram o corpo do garoto para encobrir os Vestígios de Pedofilia.

Em março de 2006, o coordenador do Centro de Apoio Operacional ao Combate às Organizações Criminosas (Caococ), o promotor de Justiça Oscar Araújo da Silva, anunciou uma reviravolta no caso o assassinato do jovem Lucas.
O Caso na íntegra, pode ser acessado através do endereço:
lucas terra 

Por fim, tanto Carlos Terra como Marion Terra, passaram a se dedicar em tempo integral para que o assassinato do filho, não caia jamais no esquecimento, bem como tentam exemplificar a cruel capacidade que pode colocar qualquer um de todos, em condição desumana. Onde a Justiça nem sempre é feita para punir os autores corretamente e na medida da gravidade do delito.

Carlos Terra, escreveu um livro: LUCAS TERRA: TRAÍDO PELA OBEDIÊNCIA. E já há muito busca  uma editora para lançar o livro, que foi produzido de forma independente. Um dos maiores objetivos da obra literária é arrecadar fundos para a formação da "LUTE" - Centro Lucas Terra de Proteção às Vítimas de Violências.

Assim, o "Lute" pretende oferecer diversos cursos voltados à infância e a adolescência. O Foco é  não deixar essas crianças e adolescentes ociosas e sem oportunidades, que em algumas regiões da Bahia são muito poucas. As famílias que têm filhos ou parentes vítimas de violência ficam desamparadas juridicamente, psicologicamente, financeiramente e socialmente... - Portanto, a LUTE será prioritária  em resgatar pessoas que viveram dramas ou não possuem recursos para recomeçar, e o Centro Lucas Terra esta nascendo para exatamente ajudar estas pessoas. Enquanto não encontra uma editora, O pai do menor assassinado LUCAS TERRA, autor de um livro com 400 paginas e noventa e cinco capítulos, vai editando novos exemplares por sua conta e gastos.

De acordo com Carlos Terra, em sua Obra Literária, ele descreve a adolescência de LUCAS TERRA, bem como os assassinos que queimaram vivo seu filho, descrevendo com detalhes o que a "IGREJA" FEZ E CONTINUA FAZENDO para acobertar este crime...

'Livro Traído pela obediência - Caso Lucas Terra'
"Para adquirir um exemplar o pedido pode ser feito por e-mail ou telefone
carlosterra7@hotmail.com" e /ou pelo telefone 071-91086062

Marion Terra Mãe de Lucas Terra e organizadora da "Lute" :lute_org@hotmail.com
*Nota do Editor: Elizabeth Misciasci é jornalista.
http//www.artigonal.com/cotidiano-artigos/caso-lucas-terra-807404.html

Eu tinha parado de colocar postagem nesse blog porque as histórias todas são cruéis demais e mexeu muito com meu lado espiritual. É terrível saber o que "monstros" são capazes de fazer com nossos filhos e essa constatação me deixou muito chocada, mas diante desse caso do Lucas Terra não podia me omitir e fechar os olhos.

 Senhor Jesus faz com que a Justiça seja feita para que outros inocentes não venham a ser vítimas dessas pessoas que estão em liberdade. Abençoa Senhor todas as crianças e que essas pessoas que tem esse desejo tão demoníaco sejam impedidas de realizá-los pela tua força Senhor, em nome de todas as crianças e vítimas dessas crueldades eu te peço: Intervenha e não deixe que aconteça.”
( Célia Buarque é a autora do Blog http://ajudaraencontrar.blogspot.com Sigam! )


domingo, 27 de fevereiro de 2011

SEM NÓS


Hoje acordei só
Pensando em ti
Pensando em mim
Envolta à realidade
Sentindo saudades
De quando erámos nós

Eis-me aqui
Outra vez a sós
Remoendo os enganos
Reparando os danos
Refazendo os planos
Desatando os nós
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