domingo, 18 de novembro de 2012

ENTRE O VAZIO E A APRENDIZAGEM


A tragédia completa hoje, precisamente, sete dias. O domingo também amanhecera assim, belo, ensolarado e de brisa suave. Eu ainda estava entregue a preguiça na cama quando alguém bateu palmas lá fora. Da janela do quarto eu vi um homem desconhecido parado diante do portão, pus a cabeça para fora e questionei: - Pois não? - O homem me olhou com uma cara de quem vê alguém familiar e depois de um bom dia retribuído, me fez uma pergunta que a princípio me pareceu estranha: - A sua cachorrinha está aí? – Dei uma busca rápida pela casa, nos locais onde ela costuma se deitar e constatei que não. Voltei e lhe dei a resposta, sem compreender ao certo o que ele pretendia. A conversa daí em diante tomou o rumo para o esclarecimento: - Eu vinha passando na avenida principal e vi um cachorro atropelado, aproximei-me e reconheci que se tratava da sua cachorrinha... Ali em frente à Lampadinha. – Apressei-me para tomar alguma atitude, sem saber ao certo qual deveria ser. Mencionei ir urgente verificar se ela estava muito ferida quando o senhor me olhou nos olhos, com bastante calma e disse: - Não há mais nada que a senhora possa fazer, eu só vim avisá-la para que não ficasse a vida inteira esperando que ela voltasse, sem compreender o que aconteceu. – Agradeci-o profundamente porque ele estava certo, a dor da perda é terrível, mas, a angustia da espera em vão é mais arrasadora.  O domingo inteiro foi muita tristeza e comoção. As meninas enterraram o corpo da Gisele Bündchen, ou da minha Gigele, como eu gostava de chamar, no terreno em frente à nossa casa e colocaram uma cruz indicando o local.

Muita gente, com certeza, não consegue compreender como é possível alguém sofrer tanto a perda de um animal. Hoje está cada vez mais difícil encontrar famílias que criam cachorros ou gatos. O espaço físico e a falta de tempo são os fatores mais justificados. Também é evidente o numero cada vez mais crescente de animais abandonados, principalmente gatos. As pessoas, mesmo quando decidem criar algum animalzinho, preferem compra-lo. Elas têm uma necessidade maior de exibir o pedigree do que de se apegar a um companheiro ou companheira.
Sempre convivi com animais de estimação, desde a minha infância e continuei assim juntamente com as minhas três filhas. Embora eu me reserve de fazer discursos em defesa de criar animais quando percebo a resistência das pessoas, sempre que posso apresento a minha opinião baseada na experiência de criar bichinhos com as filhas. Fala-se muito dos perigos de doenças provocada pelo contato com animais, principalmente para as crianças. Eu realmente compreendo que isso é verdadeiro, mas nunca aconteceu na minha casa e já se vai quase meio século de convivência. Atribuo essa realidade aos cuidados com a higiene e prevenção de doenças como vermes e raiva.

Criar animais, antes de tudo, sempre foi de grande contribuição para a educação das minhas filhas. Com eles elas aprenderam valores como cuidar, respeitar, se responsabilizar. Através dos animais elas desenvolveram também a sensibilidade, a compreensão das vantagens do carinho e do afeto. Experiências de morte como essa que vivemos agora com a Gigele, já vivemos algumas outras vezes, de formas diferentes e tenho plena convicção de que estas contribuem demais para a aprendizagem de conviver com a condição de morte, iminente a todos os seres vivos.

Assim, sempre que posso estou divulgando e compartilhando notícias de animaizinhos abandonados, precisando de lar e carinho. Ajudo a levantar a bandeira de que “um amigo não se compra” e que a recompensa para quem cria um animal é imensamente gratificante.

 Preciso dizer também que pouco antes de Gigele morrer, apareceu por aqui um cachorro de rua que se apaixonou por ela e ficou morando na minha calçada. Tobias, este é o nome dele, agora ocupa o vazio que ela deixou.


(ESSE VÍDEO É DE GIGELE BRINCANDO, OU AGUENTANDO A BRINCADEIRA DO CACHORRINHO QUE AS MENINAS CRIAM NA CASA DO PAI).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ESSE TEXTO FOI ESCRITO PELA MINHA FILHA ELORA (17 ANOS) PARA HOMENAGEAR O SEU PAI PELO SEU ANIVERSÁRIO. FICOU MESMO LINDO.


“Pai, palavra forte igual ao seu significado! Você é mais especial do que imagina ser, sei que te irrito por sair sempre depois das 22:00hrs e que se eu morasse na sua casa isso nunca iria acontecer, deve ser porque você ainda não admitiu que eu cresci né? Mas não ligo, eu gosto de saber que você se importa comigo, que por mais que não moremos juntos você faz questão de me ligar todos os dias nos mesmos horários só para saber onde estou e se estou bem. Hoje é uma data especial para ti e como é para você é mais ainda para mim, não sou filha única, mas sou uma coisa bastante especial para você, sou para sempre a caçula do papai. Deve ser complicado para você ter três filhas e todas elas já estarem passando da adolescência para a fase adulta, mas quero que não esqueça jamais que eu sempre vou ser a sua Catarina, aquela de cabelinho curtinho e franjinha cortada a seu estilo, aquela garotinha que cabia na sua cesta de compras, que te ajudava a lavar o carro, que te ajudava a fazer de tudo. Sua garotinha cresceu, mas o sentimento e a admiração por você continuou sempre. Só queria te dizer que ninguém jamais irá tirar seu espaço do meu coração, as vezes penso que já me tiraram do seu, mas fico feliz quando me liga e me prova o contrario. Eu te amo demais, mais do que alguém possa imaginar, um amor incondicional e te desejo tantos anos de vida, quero que você me veja crescer na vida e ver todos os obstáculos que irei vencer nessa vida, te desejo saúde e que nunca mude esse teu jeitão de ser, meio grosso e meio carinhoso. Edvar, talvez você nunca leia essa minha mensagem para você, mas se algum dia ler quero que saiba: Você é o homem da minha vida ♥” (ELORA MAIA em 05/11/2012).

domingo, 4 de novembro de 2012

A VALORIZAÇÃO QUE A ESCOLA DÁ AOS NOSSOS FILHOS


Duas das minhas filhas se preparam para o vestibular e para o ENEM. Penso  na minha participação e sobre o papel da escola nesse momento.

Chegando a hora das provas o nervosismo aumenta.  Um delas está mais insegura porque o seu rendimento escolar, ou seja, as suas notas estão bastante baixas, mesmo com todo esforço e a disciplina que vem dedicando para estudar, receia não ser aprovada.

Mas a sua grande preocupação mesmo são os exames para a universidade e, como a maioria dos seus amigos, ela estuda em dois cursos preparatórios fora da escola. Sobre isso eu penso que a necessidade de cursos extras é uma sinalização de que a escola regular não está integralmente cumprindo o seu papel.

A  sua insegurança soma-se à dúvida sobre a escolha da profissão ou da área de estudo. Embora seja natural nessa idade a dúvida, considero que isso também traduz uma falha da escola e minha também. Faltou com certeza uma maior orientação sobre os caminhos profissionais. Refiro-me não somente às técnicas de informações, falo, especialmente, da dedicação à observação sobre as áreas de interesse dela, sobre as suas potencialidades e envolvimento com alguma atividade ou conhecimento específico.

A cobrança exacerbada de uma aprendizagem generalizada, típica da maioria dos currículos das escolas, e a  ausência do olhar para “o específico”, para os interesses do jovem, sem dúvida nenhuma contribui bastante para o agravamento desse quadro de insegurança em que a minha filha e muitos outros jovens se encontram. É como se lhes fosse dito: - Se você não é bom em tudo, não é bom em nada!

Percebo que essa necessidade em ser “bom em tudo”, desconsiderando a área de interesse do aluno, acaba levando a frustração. Precisamos urgentemente avançar para uma postura pedagógica que prima pelo reconhecimento dos talentos dos individuos e a valorização da capacidade de cada um.

Tal proposta não pode ser confundida com a desconsideração sobre a importância do acesso ao conhecimento amplo de diversificado, muito pelo contrário, ela oportuniza os alunos a reconhecer os seus interesses e também  a conhecer e valorizar os interesses e conhecimentos produzidos por outras pessoas.

Embora ainda não me reconheça com relevada propriedade para discutir sobre esse tema, a contribuição das pesquisas do psicólogo Howard Gardner, na década de 80, que resultou em especial na sua teoria das inteligências múltiplas, representa uma grande contribuição para a pedagogia porque busca exaltar a importância do olhar da escola e da família sobre as habilidades, os talentos e os interesses dos alunos.

 Pensando no meu papel de mãe, ressinto-me de não haver participado mais desse tipo de discussão dentro da escola. A lição que tomo pra mim é que o futuro dos nossos filhos não está na valorização que damos à escola, mas na valorização que a escola dá a eles e nós também.



domingo, 21 de outubro de 2012

QUEM DERA UMA FÉ OU UM CETICISMO CEGOS PARA EU DORMIR EM PAZ



Confesso que tantas vezes invejo os que facilmente se realizam em sua fé. Certamente, isso lhes poupam de muitas angústias e do desgaste de uma busca constante por respostas inteligentes e convincentes sobre a vida.

Apegar-se a histórias, de cunho moral, criadas e repassadas inicialmente na cultura oral e depois eternizadas na literatura escrita e utilizar-se delas para saciar toda a necessidade de saber é bem mais confortante do que, tendo acesso a essas histórias, compreender o seu cunho histórico e analisa-la impessoalmente.

Viver da fé exclusivamente é contentar-se com o que compreende sem se exaurir na reflexão das razões de todas as coisas e se desgastar nas pesquisas de possibilidades infinitamente variáveis do amanhã como resultado das ações do hoje.

 Os inquietantes e atrevidos porquês são instrumentos que atormentam a alma. Feliz é o sujeito cujo mundo espiritual resume-se apenas na garantia própria da salvação de sua alma. A sua mente preenche-se e goza de tal conhecimento como o bastante. O respeito e a submissão ao ser supremo é uma posição que aquieta e faz o homem adormecer em paz.

É bem verdade que na outra ponta também há uma posição confortante: ateu. Nem essa eu consigo alcança-la. Se o fizesse certamente bem mais fácil seria. A convicção sobre o equívoco dos outros me acalmaria e nada mais haveria para ansiar a não ser usufruir a perfeição que o acaso, por sorte, instituiu em anos e anos de evolução.

Mas, eu sou esta...


sábado, 13 de outubro de 2012

OS RICOS TÊM MAIS MOTIVOS PARA SORRIR



Há cerca de dois meses atrás, durante um tratamento dentário, recebi a notícia de que um dos meus dentes estava totalmente condenado e a única alternativa seria um implante.

Maior foi o meu choque com tal notícia por tratar-se de um desses dentes da frente. A ideia de ficar banguela certamente é apavorante para qualquer pessoa com um mínimo de esclarecimento.

Embora tranquilizada pelo dentista com a possibilidade do implante, devo dizer que isso me deixou bastante abalada.

O que eu não previa era que um abalo maior me aguardava na hora de saber o preço de implante, cerca de dois mil reais, em uma clínica popular. Para um rico, quase nada e uma fortuna um trabalhador que concentra os seus proventos mensais unicamente para garantir a sobrevivência, a educação dos filhos e um mínimo de conforto para a sua família. 

Se compararmos essa condição com a que se encontra a maioria dos brasileiros, concluímos ser uma situação mais crítica ainda.

Não à toa o Brasil já foi declarado por diversas vezes o país dos desdentados.

Afinal, que mal representa ser desdentado, além do comprometimento com a saúde proveniente da impossibilidade de mastigar bem os alimentos (o que já é gravíssimo)?

Avaliemos o impacto que uma deformação na aparência pode ocasionar na autoestima de uma pessoa. No caso de perda do dente, parar de sorrir é a primeira atitude e pode desencadear outras até tornar a pessoa totalmente complexada.

Algumas vezes, com certeza, já nos deparamos com pessoas que sorriem de forma acanhada, algumas escondendo a boca com as mãos. Muitas ainda jovens e sem perspectiva de resolver o seu problema porque um tratamento dentário em nosso país é “artigo de luxo”.

Embora tantos apelos nas mídias para a realidade dos “desdentados do Brasil”, nunca ocorreu de fato uma política séria e efetiva para solucionar essa situação.

Assim, os dentes tornam-se mais um pretexto para reafirmar que os ricos têm muito mais motivos para sorrir do que os pobres.

"Brasília - Claudemir Justino dos Santos, lavador de carros, é um dos 30 milhões de brasileiros desdentados, segundo pesquisa do Ministério da Saúde. (foto:José Cruz)" http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2004-03-17/17-de-marco-de-2004?foto=4058b78f68028 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O DEUS QUE EU NÃO ACREDITO



Quando menina, eu vivia cercada dos ensinamentos da minha avó. Cercada de crenças, de rezas e dogmas.

“Oh meu Jesus perdoai-me e livrai-me do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu. Socorrei, principalmente, as que mais precisarem.”

Essas palavras ecoavam dentro de mim provocando um terror inexplicável.

Eu realmente sentia muito medo de, por algum motivo, não alcançar o perdão de Jesus e acabar no fogo do inferno.

Essa ideia, aliás, a maioria das ideias que eu tinha a respeito de Deus, era relacionada ao medo, ao castigo, a condenação eterna para pagamento dos pecados.

Nem posso dizer que isso era estranho naquela época: década de setenta. Estranho mesmo é hoje em dia assistir ainda, pessoas repetindo essas orações.

Das duas uma: Ou elas não prestam muita atenção no sentido das palavras que repetem ou continuam sob o julgo do medo dos castigos de um Deus severo que não titubeia em condenar um filho à eternidade de “um fogo do inferno”
.
Para falar a verdade, eu nunca consegui lidar muito bem com a acepção do termo “eternidade”. Como também não absorvo a ideia da coexistência eterna de dois arqui-inimigos: Deus e o Diabo.

Pensando Deus como um pai, reflito: Como poderia um pai permitir em sua casa a permanência de alguém que só provoca o mal aos seus filhos?

Acaso seria Deus refém do Diabo e os seus filhos incapazes de serem avaliados ou julgados pelas suas próprias ações e decisões, sem precisar da inteligência do Diabo para conduzi-los?

Devo esclarecer também que essa visão de “Deus Pai” é muito difícil também de assimilar. A não ser que venha acompanhada do “Filho” e do “Espírito Santo”, em uma só pessoa.

Gosto dessa ideia de mistério. Não de mistério fruto de dogma, mas, de mistério fruto da nossa limitação humana de “incompreender” a Deus.

O Deus que concebo é algo assim como uma energia cósmica que está ligada a todos os seres. Algo realmente inexplicável.

Para mim, a evolução que esses seres que compõem a energia cósmica, alcançam através da sabedoria os conduzem a um nível tal que por isso são chamados de “Anjos” e “Deus”.  Os seus declínios causado pela ignorância leva-os a uma transformação espiritual que os tornam conhecidos como “demônios” e “Diabo”.

Acredito também ser muito provável a sobrevivência da energia vital à morte da matéria.

O que me afasta mesmo das religiões, de todas elas, é essa mania de acharem-se descobridores da “verdade” e apresenta-las de forma tão simplificada que se torna um afronte acreditar nesse Deus tão falho do qual são porta-vozes.

Sigo o que indica o poeta: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”

Penso que enquanto eu fizer parte dessa vida terrestre sou movida pelo potencial de construir conhecimentos, de buscar respostas e pela certeza de que nunca alcançarei a verdade suprema, pela minha limitação para compreendê-la.

Todavia, muitas vezes invejo os que se acomodam às respostas que obtêm e sentem-se felizes com elas. Embora eu não consiga ser um desses, condeno quem tente arrancá-los de forma irresponsável desse conforto espiritual.

Mas, condeno mais ainda, aqueles que tiram proveitos próprios da fé dos outros.

De tudo isso, creio que o que realmente importa é evoluirmos sempre em busca da harmonia entre todos os seres.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"VOU LER MAIS OS MEUS AMIGOS"


Não me atrevi mais a escrever.
Não pelo fato de não ter do que falar.
Não foi isso.
Deixei de escrever por achar injusto querer que leiam meus escritos, ao passo que eu, há muito não leio nada do que escrevem nos blogs os meus amigos.
Seria muita petulância minha, concorda?
Pois se eu não leio as publicações dos meus amigos, que justiça há em publicar meus textos à espera de suas leituras?
Assim, vou passar um tempo maior lendo do que escrevendo.
Dessa forma, certamente,  aprenderei mais.
É um jeito de me redimir, de valorizar mais os amigos.
Depois eu volto.
Aposto que um  pouquinho mais sábia, pois, com os amigos crescemos sempre.
Bjs.


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