- Tão engraçado! – Engraçado é modo dizer por que isso não tem
graça nenhuma. Aliás, é trágico, na verdade.
Um vigia de uma escola publica municipal de Natal, espera, desde as
sete e pouco da manhã, segundo ele, o chefe do Setor de Recursos Humanos da
Secretaria Municipal de Educação. Lá pelas dez horas da manhã recebe o aviso de
que ele só chegará ao meio dia.
Pergunto: - O senhor vai esperar até lá? – Não tenho alternativa. –
foi a sua resposta.
Isso seria o suficiente para considerarmos um desrespeito com o
trabalhador. Mas, quem se importa? Acaso não é “natural” longas esperas em órgãos
públicos?
- Isso nunca via mudar! – diriam os conformistas.
Pois bem, voltando ao caso. Interessei-me, curiosa que sou, em
saber qual o caso tão urgente que não poderia fazer aquele senhor voltar outro
dia.
O caso é, principalmente, não ter dinheiro para passagens. Mas, o
que ele pretendia resolver com o Chefe do Setor era simplesmente conseguir uma
transferência para uma escola mais próxima a sua casa. Onde já havia constatado
a vaga, segundo informou. Os motivos, além do obvio, era o fato de não receber
vales transportes e ter que reembolsar as passagens toda vez que ia trabalhar
na outra escola.
Somem-se a esses motivos, o fato de estar com o salário atrasado a
dois meses. Coisa que ele nem se atreve a tocar no assunto diante do “Chefe”,
por medo de perder esse emprego.
Pensemos: - Que mundo é esse em que estamos sobrevivendo?
Enquanto chefes ganham suas gordas gratificações e gozam da regalia
de chegar ao trabalho na hora em que bem quiser. Trabalhadores, sem direito a
vales transportes, com salários atrasados, mendigam o direito de trabalhar mais
próximo a sua casa.
Essa prática de atrasar os salários do pessoal terceirizado contratados
pela prefeitura, já virou uma constante. O pior é que, como agora, chega a extrapolar
dois meses de salários atrasados.
- Acreditam que quem está com as suas contas pagas, dinheiro
sobrando até, está muito preocupado com esses trabalhadores, coitados, que são
forçados a trabalhar sem faltar mesmo sem receber os seus salários e vales
transportes?
Ninguém se preocupa, quer dizer, talvez tenha até quem se preocupe,
mas são tão pequenos quanto eles, sem poder de resolver o problema. Os que
podem mesmo? – Não estão nem aí!
E assim, a novela continua, os professores ameaçando greve, as
crianças pobres sem estudar, as escolas sucateadas, os funcionários sem receber
seus salários e as propagandas dizendo tudo ao contrário, que - Está tudo às
mil maravilhas!

